Segunda-feira, 14 de Setembro de 2015

A vitória do caciquismo científico

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O capítulo acerca da vitória de Luís Filipe Menezes sobre Marques Mendes, na terceira parte do livro - aqui revelada pelo Miguel Santos, do Observador, na passada sexta-feira - é o que melhor ilustra como um poderoso cacique se pode tornar num dos "de cima". Menezes tinha poucos notáveis, não granjeava simpatia na comunicação social, a elite do partido estava contra ele e mesmo assim ganhou. Até os jornalistas políticos mais experientes ficaram surpreendidos naquela noite. Através deste exemplo pode perceber-se como os partidos são frágeis. Menezes tinha o poder ancorado na maior concelhia do PSD, com quatro mil militantes. Dominava a distrital do Porto, a maior, que era presidida por Marco António Costa. Garantia o apoio das outras grandes concelhias como Famalicão e Barcelos. E depois era preciso anular Lisboa (onde venceu) e atenuar a Madeira e os Açores.

 

O grupo dos caciques mais experientes do lado de Menezes conseguiu inverter de forma impressionante a vantagem de Marques Mendes: o líder dominava a secretaria do partido, tinha mais credibilidade na comunicação social e era acompanhado pelas "personalidades". Menezes provou que "as bases", as suas queridas bases, é que contam: porque votam consoante a indicação do seu chefe ou galopim. O segredo da vitória começou pela criação de uma enorme base de dados de deu um carácter "científico" à cacicagem e consolidou-se com a descodificação do algoritmo que gerava dos códigos de pagamento das quotas por multibanco, através de um informático em Madrid. Quebrado o código, os menezistas pagaram quotas a militantes por todo o país. Nunca se saberá de onde veio esse dinheiro. Menezes durou poucos meses à frente do partido, mas a posição de "ex-líder" havia de lhe valer o estatudo senatorial de um lugar no Conselho de Estado.

publicado por Vítor Matos às 12:01
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